No final
da tarde de ontem (11/10), a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) divulgou nota
informando o cancelamento do GP Nacional 2007. A entidade fundamentou a decisão no
excesso de 'eventos de peso realizados em 2007 e às competições preparatórias
para Pequim-2008. No entanto, a versão dos clubes é um pouco' mais extensa.
Segundo eles, a CBJ não mostrou qualquer preocupação em organizar um evento que,
segundo apregoa, é a principal competição de clubes do país.
Sem receber qualquer ajuda e depois de avaliarem as versões anteriores, alguns clubes
resolveram que não valeria a pena repetir o investimento em torno de R$ 30.000,00
por clube para participar de um evento que não dá retorno: A CBJ quer
tudo na mão sem ajudar em nada, extravasou o dirigente de um dos mais
tradicionais clubes do país. Já não basta eles não mencionarem os nomes dos
clubes cada vez que o Brasil conquista um resultado expressivo. Agora querem que
continuemos bancando tudo: até quando?, questionou.
Segundo outro dirigente, quando houve a primeira reunião para tratar da realização da
primeira edição (2003), a CBJ pediu aos clubes que comprassem a idéia e bancassem a
primeira temporada, assumindo o compromisso de arcar com as despesas a partir da segunda
edição. Na ocasião, o argumento falta de caixa foi aceito contra o aceno de
melhores ventos nos anos subseqüentes. Só que a CBJ não conseguiu vender
uma cota de patrocínio sequer e a mesma conversa foi usada no outro ano; e no outro, e no
outro, e no outro...
De acordo com eles
(representantes dos clubes), não bastasse sofrer esses descasos, a CBJ insistiu em
determinar que categorias seriam disputadas nesta ano: "A gente investe em todas
as categorias e na hora da competição a CBJ é quem determina quem terá visibilidade ou
não, de acordo com as suas conveniências: nem existe discussão", protestaram.
Um terceiro dirigente acrescentou: A CBJ fala em fortalecimento dos
clubes: gostaria de saber quando ela pretende começar esse processo. Até agora só
servimos para pagar contas, fornecer atletas e associar nossos bons nomes à
administração atual. E o que recebemos em troca?: total descaso. Se houvesse uma real
preocupação conosco, a CBJ teria planejado a coisa toda com mais seriedade. Não é
possível que só agora, no final do ano, eles tenham lembrado do GP... E tem mais: para
pagar passagens para mais de 100 países virem ao mundial tinha dinheiro. Para colaborar
conosco - que cuidamos, treinamos e pagamos os atletas - não existe nenhum recurso,
concluiu.
E quem esteve no Mundial do Rio sabe que organização não é o forte da CBJ. O
presidente Paulo Wanderley acreditou que comprando um par de ternos e um notebook
viraria um PhD em gestão e marketing; mas vem tocando a CBJ como se fosse uma barraca de
côcos numa praia qualquer. Aliado à esse delírio, conseguiu contrariar todos os
envolvidos com o Judô de alto-rendimento ao contratar um tal de Maurício para cuidar das
promoções. Esse Maurício conseguiu ser uma das raras unanimidades do Judô brasileiro
atual: é malquisto por todos os dirigentes e atletas das seleções principais. Mas o
'Paulinho' gosta dele e deu no que deu: estamos nas mãos de dois amadores.
Finalizando, se a CBJ
'prioriza' os clubes e a seleção principal e a situação é essa, imaginem a situação
das academias e clubes pequenos...; e os atletas das categorias de base? Dessa
administração podem esquecer qualquer atenção.
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